Epilepsia Infantil e Crises Convulsivas | Neuropediatra em Joinville

Epilepsia infantil esperanca e cuidado

A epilepsia na infância é uma condição neurológica que pode se manifestar de diferentes formas. Nem toda criança que apresenta uma crise convulsiva tem epilepsia, e nem toda crise epiléptica provoca convulsões.

Por isso, diante de um episódio suspeito, é importante avaliar cuidadosamente como foi a crise, em que contexto aconteceu, quanto tempo durou, como a criança se comportou antes e depois do episódio e quais são os resultados dos exames.

O diagnóstico correto permite identificar o tipo de crise e, quando existe epilepsia, determinar sua causa e escolher o tratamento mais adequado para cada criança.

O que é epilepsia na infância?

A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada por uma predisposição persistente do cérebro para apresentar crises epilépticas.

  • duas ou mais crises epilépticas não provocadas, ocorrendo com intervalo superior a 24 horas;
  • uma crise epiléptica não provocada quando existe um risco elevado de novas crises, semelhante ao risco após duas crises não provocadas;
  • identificação de uma síndrome epiléptica.

Portanto, ter uma única crise não significa necessariamente ter epilepsia.

Da mesma forma, uma crise provocada por uma condição aguda, como hipoglicemia importante, alteração metabólica ou algumas situações de infecção, pode não significar que a criança tenha epilepsia.

O diagnóstico é clínico e deve considerar a história da criança, o tipo de episódio, o exame neurológico e, quando indicados, exames complementares.

O que é uma crise convulsiva?

Uma crise convulsiva é um episódio caracterizado por manifestações motoras involuntárias, que podem incluir:

  • enrijecimento do corpo;
  • abalos musculares repetitivos;
  • perda de consciência;
  • queda;
  • movimentos rítmicos dos braços e pernas;
  • alteração da respiração;
  • mordedura da língua;
  • perda de urina em alguns casos.

Entretanto, é importante entender que convulsão é uma manifestação clínica, e não um diagnóstico.

Uma criança pode apresentar uma crise convulsiva por diferentes motivos, incluindo uma crise epiléptica, febre, alterações metabólicas, intoxicações ou outras condições agudas.

Por isso, após uma convulsão, é fundamental investigar sua causa.

O que é uma crise epiléptica?

A crise epiléptica é um episódio transitório causado por uma atividade neuronal anormal, excessiva ou sincronizada no cérebro.

As crises epilépticas podem ter manifestações muito diferentes.

Crises focais

Começam em uma determinada região ou rede de um hemisfério cerebral.

Podem provocar:

  • alteração da consciência;
  • olhar parado;
  • movimentos automáticos;
  • alterações de comportamento;
  • sensação ou percepção incomum;
  • alterações visuais, auditivas ou sensitivas;
  • movimentos involuntários de uma parte do corpo.

Algumas crises focais podem evoluir para uma crise tônico-clônica bilateral.

Crises generalizadas

Desde o início, envolvem redes dos dois hemisférios cerebrais e podem apresentar diferentes manifestações.

De acordo com a definição prática da International League Against Epilepsy (ILAE), considera-se epilepsia quando ocorre uma das seguintes situações:

Entre elas estão:

  • crises de ausência;
  • crises mioclônicas;
  • crises tônicas;
  • crises atônicas;
  • crises tônico-clônicas.

A classificação correta do tipo de crise é importante porque influencia a investigação, o diagnóstico da síndrome epiléptica e a escolha do tratamento.

Crise convulsiva e crise epiléptica são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma das principais dúvidas dos pais.

  • se o episódio realmente foi uma crise epiléptica;
  • se foi uma crise provocada ou não provocada;
  • resultado do EEG;
  • resultado da ressonância;
  • exame neurológico;
  • presença de fatores de risco para novas crises;
  • idade da criança;
  • síndrome epiléptica identificada.

Em algumas situações, o tratamento pode ser indicado após uma primeira crise não provocada quando existe um risco elevado de recorrência.

Crise convulsiva descreve principalmente uma manifestação clínica, especialmente quando existem movimentos musculares involuntários.

Crise epiléptica descreve um evento causado por atividade neuronal anormal no cérebro.

Uma crise epiléptica pode ocorrer sem nenhuma convulsão.

Por exemplo, algumas crianças apresentam crises de ausência, caracterizadas por breves períodos de interrupção da atividade, olhar fixo e perda momentânea da interação, sem os movimentos típicos de uma convulsão.

Da mesma forma, uma criança pode apresentar uma convulsão em determinadas situações agudas sem necessariamente ter epilepsia.

Essa diferença é fundamental para evitar diagnósticos e tratamentos inadequados.

  • vídeo-EEG;
  • ressonância magnética especializada;
  • avaliação neuropsicológica;
  • exames funcionais;
  • investigação genética, quando indicada.

A cirurgia não é indicada para todas as crianças, mas pode ser considerada precocemente em casos selecionados.

Estimulação do nervo vago e outras terapias

Em situações específicas de epilepsia farmacorresistente, podem ser consideradas terapias como a estimulação do nervo vago e outras estratégias especializadas.

Quais são as principais causas da epilepsia infantil?

A epilepsia pode ter diferentes causas. A classificação atual da ILAE considera principalmente os seguintes grupos:

Causas genéticas

Algumas epilepsias estão relacionadas a alterações genéticas que aumentam a predisposição para crises.

Em determinadas síndromes epilépticas, a identificação de uma alteração genética pode contribuir para o diagnóstico, prognóstico, aconselhamento familiar e escolha do tratamento.

Causas estruturais

São alterações na estrutura do cérebro que podem estar relacionadas às crises.

  • Foi realmente uma crise epiléptica?
  • Qual foi o tipo de crise?
  • Existe epilepsia?
  • Qual é a provável causa?
  • Qual é o risco de novas crises?
  • Qual tratamento é mais adequado para esta criança?

O acompanhamento com neuropediatra permite integrar a história clínica, o exame neurológico, o EEG, os exames de imagem e, quando necessário, a investigação genética e metabólica para construir um diagnóstico individualizado e definir a melhor estratégia de tratamento.

Entre os exemplos estão:

  • malformações do desenvolvimento cortical;
  • esclerose hipocampal;
  • sequelas de acidente vascular cerebral;
  • lesões decorrentes de traumatismos;
  • algumas consequências de infecções;
  • tumores e outras alterações estruturais.

A ressonância magnética, especialmente quando realizada com protocolo específico para epilepsia, pode ser importante para identificar essas alterações.

Causas metabólicas

Algumas doenças metabólicas hereditárias ou adquiridas podem provocar epilepsia.

Elas são especialmente importantes quando existem outros sinais associados, como atraso do desenvolvimento, regressão de habilidades, alterações neurológicas, episódios recorrentes ou história familiar sugestiva.

Causas infecciosas

Infecções do sistema nervoso central podem estar relacionadas ao aparecimento de crises e epilepsia, dependendo da infecção e das consequências deixadas no cérebro.

Em crianças pequenas, episódios como espasmos infantis merecem avaliação urgente, pois o diagnóstico e o tratamento precoces são particularmente importantes.

Uma crise não define toda a história da criança

Receber a notícia de que uma criança apresentou uma crise pode ser assustador para toda a família. Entretanto, é importante lembrar que crise convulsiva não é sinônimo de epilepsia.

A epilepsia infantil engloba diferentes doenças, síndromes e causas, com manifestações e prognósticos muito variados.

Uma avaliação cuidadosa permite responder às perguntas mais importantes:

Causas imunológicas

Em algumas situações, mecanismos relacionados ao sistema imunológico podem participar do desenvolvimento de crises epilépticas.

Causa desconhecida

Mesmo com investigação adequada, nem sempre é possível identificar a causa da epilepsia.

Isso não significa que o diagnóstico esteja incorreto. Em algumas crianças, a origem permanece desconhecida mesmo após investigação especializada.

Essas abordagens geralmente fazem parte da avaliação em centros especializados em epilepsia pediátrica.

Quando procurar avaliação com um neuropediatra?

A avaliação especializada é especialmente importante quando a criança apresenta:

  • primeira crise convulsiva sem causa evidente;
  • episódios recorrentes de perda de consciência;
  • períodos de olhar fixo e ausência de resposta;
  • movimentos involuntários repetitivos;
  • quedas inexplicadas;
  • episódios de enrijecimento ou abalos;
  • episódios suspeitos durante o sono;
  • regressão ou alteração do desenvolvimento associada a episódios paroxísticos;
  • crises que continuam apesar do tratamento;
  • efeitos adversos importantes dos medicamentos.

Toda criança que teve uma convulsão precisa tomar remédio?

Não necessariamente.

Uma primeira crise convulsiva precisa ser cuidadosamente avaliada antes de se definir o tratamento.

A decisão depende de fatores como:

Quais exames são utilizados para diagnosticar a epilepsia?

O diagnóstico da epilepsia é principalmente clínico. Os exames complementares ajudam a confirmar hipóteses, classificar a epilepsia e investigar sua causa.

Eletroencefalograma — EEG

O EEG registra a atividade elétrica cerebral e pode identificar alterações epileptiformes.

É um dos principais exames utilizados na investigação das epilepsias e pode ajudar a determinar o tipo de crise ou síndrome epiléptica.

É importante destacar:

  • um EEG normal não exclui epilepsia.

Quando existe forte suspeita clínica, mas o EEG de rotina é normal, podem ser considerados exames como EEG com privação de sono ou monitorização prolongada, dependendo de cada caso.

Vídeo-EEG

Combina o registro da atividade elétrica cerebral com gravação em vídeo.

É especialmente útil quando é necessário correlacionar os sintomas apresentados pela criança com o comportamento cerebral durante o episódio.

Pode ser fundamental em situações nas quais existe dúvida entre uma crise epiléptica e outros eventos que podem parecer crises.

Ressonância magnética de encéfalo

A ressonância magnética pode investigar alterações estruturais relacionadas à epilepsia.

Esses exames não são necessários da mesma maneira para todas as crianças. A investigação deve ser direcionada de acordo com a história clínica.

Investigação genética

Em determinadas epilepsias, principalmente quando existem características clínicas sugestivas, atraso ou alteração do desenvolvimento, malformações, história familiar ou uma síndrome epiléptica específica, testes genéticos podem contribuir para identificar a causa.

A escolha do teste deve ser individualizada.

Nem todas as crianças precisam necessariamente do mesmo protocolo de investigação. Em algumas situações, é indicada uma ressonância com protocolo específico para epilepsia, principalmente quando existe suspeita de uma causa estrutural.

Exames laboratoriais

  • glicemia;
  • eletrólitos;
  • função renal e hepática;
  • alterações metabólicas;
  • doenças infecciosas;
  • doenças genéticas ou metabólicas específicas.

Dieta cetogênica

A dieta cetogênica pode ser utilizada em algumas formas de epilepsia farmacorresistente, especialmente em determinadas síndromes da infância.

É uma intervenção médica e nutricional que deve ser realizada com acompanhamento de uma equipe especializada.

Cirurgia da epilepsia

Em algumas crianças com epilepsia farmacorresistente, especialmente quando existe uma região cerebral responsável pelas crises que pode ser identificada, a cirurgia pode ser uma opção.

A avaliação envolve uma equipe especializada e pode incluir:

Como é feito o tratamento da epilepsia infantil?

Importante: as informações desta página têm finalidade educativa e não substituem uma avaliação médica individual. Medicamentos anticrise não devem ser iniciados, modificados ou suspensos sem orientação médica.

O tratamento depende do tipo de crise, síndrome epiléptica, causa, idade da criança, frequência das crises, resultados dos exames e presença de outras condições associadas.

Não existe um único tratamento que funcione para todas as epilepsias.

Medicamentos anticrise

Os medicamentos anticrise são a principal forma de tratamento para muitas crianças com epilepsia.

A escolha do medicamento depende principalmente do tipo de crise e da síndrome epiléptica.

O objetivo é controlar as crises com o menor impacto possível sobre atenção, aprendizagem, comportamento e qualidade de vida.

Quando o diagnóstico de epilepsia está confirmado, a estratégia medicamentosa deve ser individualizada para cada criança.

Tratamento da causa

Quando uma causa específica é identificada, ela também deve ser considerada no tratamento.

Por exemplo, algumas epilepsias associadas a doenças metabólicas, genéticas, imunológicas ou estruturais podem exigir abordagens específicas além do medicamento anticrise.

Epilepsia infantil em Joinville

O diagnóstico e o acompanhamento da epilepsia na infância devem considerar não apenas o controle das crises, mas também o desenvolvimento neurológico, aprendizagem, comportamento, sono e qualidade de vida da criança.

A avaliação em Neuropediatria busca compreender a criança como um todo, identificando o tipo de crise, investigando sua causa e acompanhando sua evolução ao longo do desenvolvimento.

Dr. Fábio Agertt — Neuropediatria em Joinville, Santa Catarina.