O início da idade escolar costuma tornar mais evidentes algumas dificuldades relacionadas ao desenvolvimento infantil. Aos 6–7 anos, a criança passa a ser mais exigida em atenção, organização, controle dos impulsos, interação social e adaptação às regras. Nesse contexto, pode surgir uma dúvida frequente entre pais e professores: será TDAH, autismo ou os dois?
A resposta nem sempre é simples. Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) são condições diferentes, mas podem compartilhar algumas manifestações.
Entre as características que podem aparecer nos dois estão dificuldades de atenção, autorregulação emocional e comportamental, impulsividade, agitação, dificuldades nas relações sociais e maior reatividade diante de estímulos ou situações frustrantes. Por isso, observar apenas um comportamento isolado pode levar a interpretações equivocadas.
O que diferencia TDAH e autismo?
No TDAH, as manifestações centrais estão relacionadas à desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. A criança pode perder objetos, esquecer tarefas, interromper outras pessoas, ter dificuldade para esperar sua vez, mudar frequentemente de atividade ou apresentar dificuldade para manter o foco em tarefas pouco estimulantes.
No autismo, o núcleo do quadro envolve diferenças persistentes na comunicação e interação social, associadas a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Também podem estar presentes dificuldades com mudanças, interesses muito específicos e particularidades no processamento de estímulos sensoriais.
Existe ainda uma terceira possibilidade: a criança pode apresentar TDAH e autismo simultaneamente. Essa associação é reconhecida e pode produzir um perfil clínico mais complexo, exigindo uma avaliação cuidadosa.
Como deve ser feita a avaliação?
O diagnóstico não deve ser baseado em um único sintoma. É necessário considerar o comportamento, a linguagem e comunicação, a interação social, os interesses e comportamentos repetitivos, a atenção e as funções executivas, o funcionamento escolar e o comportamento em diferentes ambientes.
Mais importante do que perguntar apenas “qual é o diagnóstico?” é compreender como aquela criança funciona.
Quando identificamos suas dificuldades, potencialidades e necessidades, podemos orientar melhor a família, a escola e as intervenções necessárias.
Referências
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5th ed., text revision. Washington, DC: APA; 2022.
Masi A, DeMayo MM, Glozier N, Guastella AJ. An overview of autism spectrum disorder, heterogeneity and treatment options. Neurosci Biobehav Rev. 2017;75:36–50.

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